referencial teórico

Definição de conceitos:

deficiência
É uma anormalidade ou a perda de uma parte ou função do corpo.
restrição
Dificuldade ou incapacidade do indivíduo em relação ao desempenho de uma atividade. Pode ser causada por uma deficiência, por idade avançada ou devido a condições sócio-econômicas.
acessibilidade
Acessibilidade são as condições e possibilidades de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de edificações públicas, privadas e particulares, seus espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, proporcionando a maior independência possível e dando ao cidadão deficiente ou a aqueles com dificuldade de locomoção, o direito de ir e vir a todos os lugares que necessitar, seja no trabalho, estudo ou lazer, o que ajudará e levará a reinserção na sociedade.
inclusão
É valorizar as habilidades de cada um e reparti-las e não focar nas deficiências. É criar condições para que todos possam desfrutar de uma vida plena, em conjunto.
reabilitação
Reabilitação é um processo contínuo, coordenado com objetivo de restaurar o indivíduo incapacitado para ter o mais completo possível desempenho físico, mental,
social, econômico e vocacional, permitindo a sua integração social.
(Organização Mundial de Saúde).
lesões medulares
Uma lesão medular ocorre devido a morte dos neurônios na medula e da quebra de comunicação
entre os axônios vindos do cérebro e de suas conexões com os neurônios da medula, interrompendo assim, a comunicação do cérebro com todas as partes do corpo que ficam abaixo da lesão.
Dependendo da altura na medula e da gravidade da lesão, há maior ou menor comprometimento de
movimentos, sensibilidade, controles de esfíncteres, funcionamento dos órgãos, circulação sanguínea e controle da temperatura.

    As causas podem ser:

  1. traumáticas
    (acidentes automobilísticos, quedas de alturas,
    mergulhos em locais rasos, por ferimentos com armas
    brancas, por ferimentos com armas de fogo)
  2. não traumáticas
    (tumores que comprimem a medula ou regiões
    próximas, acidentes vasculares, hérnias de disco,
    infecções por vírus ou bactérias)
    As lesões medulares também podem ser:

  1. completas
    (quando não há nem movimento nem sensibilidade abaixo do nível da lesão)
  2. incompletas
    (pode haver movimentos e/ou sensibilidade).
    A pessoa com lesão medular pode ser:

  1. tetraplégica (membros inferiores e superiores)
    lesão na medula cervical
  2. paraplégica (membros inferiores)
    lesão na medula toráxica, lombar, sacral ou na cauda equina
Os sentidos e a percepção do ambiente
Segundo James Gibson os sentidos podem ser classificados de acordo com a maneira que o ser
humano age para obter informações do ambiente ao seu redor.

    Estes canais sensoriais são:

    • sistema básico de orientação

    • orientação geral
    • órgãos vestibulares
    • equilíbrio do corpo
    • força e aceleração da gravidade
    • direção
    • sistema háptico

    • toque
    • pele, ligamentos, músculos
    • exploração de movimentos (corpo)
    • contato com objetos
    • sistema visual

    • visão
    • toque
    • olhos
    • luz
    • informação visual
    • sistema paladar

    • paladar
    • boca
    • saborear
    • valores nutritivos e biológicos
    • sistema auditivo

    • audição
    • orientação
    • vibração do ar
    • localização e natureza dos sons
    • sistema olfato

    • olfato
    • nariz
    • cheirar
    • informação sobre a natureza e volatilidade das substâncias
Os sentidos e as restrições

Mas o que são restrições?

Existem diversos modos de classificar as deficiências. Para a ergonomia, por exemplo, a classificação é feita conforme o ambiente e os equipamentos relacionados às necessidades especiais dos usuários. Desde modo, a pessoa pode possuir uma deficiência e não necessariamente SER um deficiente (ex: uma pessoa sem um membro mas que não tenha nenhuma dificuldade para executar seu trabalho). Segundo a Organização Mundial de Saúde, a restrição indica o grau de dificuldade que cada individuo possui para realizar uma atividade.

    Podem ser:

  • dificuldades na percepção das informações do meio ambiente
  • limitações dos sistemas sensoriais (auditivo, visual, paladar/olfato, háptico e orientação)
  • dificuldades no tratamento das informações recebidas (atividades mentais) ou na sua comunicação através de produção lingüística devido a limitações no sistema cognitivo
  • adequação ambiental
  • boa legibilidade
  • segurança
  • cantos arredondados
  • apelo visual
  • contraste de cores
  • informações claras
  • objetos robustos e de fácil manipulação
  • adequação ambiental
  • acesso fácil sem barreiras piso externo áspero com marcações claras dos caminhos.
  • rampas, corrimãos, escadas para idosos
  • locais de repouso em percursos longos
  • mínimo de força para utilização de equipamentos
  • informações devem estar ao nível do olho de uma pessoa em cadeira de rodas e de crianças
Desenho Universal
É um modo de concepção de espaços e produtos visando à utilização pelo mais amplo espectro de
usuários, incluindo crianças, idosos e pessoas com restrições temporárias ou permanentes.
o desenho não deve desencorajar o uso por nenhum grupo de pessoas.

  • prover os mesmos significados de uso para todos os usuários, idênticos ou pelo menos equivalentes ex: portas com sensores
  • impedir a segregação ou estigmatização dos usuários ex: rampas adjacentes a escadas
  • prover privacidade, segurança e proteção de forma igual a todos os usuários ex: barras de apoio no sanitário
  • tornar o desenho atraente para todos os usuários ex: cores que estimulam os sentidos fazendo com
    que o ambiente se torne mais agradável
    Princípios do Desenho Universal

  1. Uso eqüitativo:
  2. Uso flexível: o desenho acomoda uma grande faixa de preferenciais e habilidades pessoais
  3. prover escolhas na forma de utilização ex: computador com teclado e mouse (escolha na
    entrada de dados)

  4. acomodar acesso e utilização para destros e canhotos ex: guarda-corpos e guias em ambos os lados de um caminho
  5. facilitar a precisão e acuidade do usuário ex: marcação arquitetônica da entrada de um
    prédio

  6. prover adaptabilidade para a velocidade (compasso,
    ritmo) do usuário ex: escadas rolantes com patamares no início e
    término

  7. o desenho deve ser de fácil compreensão, não importando a experiência, o conhecimento, as
    habilidades de linguagem ou seu nível de concentração.

  8. eliminar a complexidade desnecessária ex: utilizar simbologia internacional e de fácil
    identificação para garantir a informação, como a localização de sanitários

  9. ser coerente com as expectativas e intenções do usuário ex: localizar os mapas e placas informativas próximas ás circulações verticais para o usuário ter acesso à informação ao chegar ao pavimento
  10. acomodar uma faixa larga de habilidades de linguagem e capacidades de ler e escrever
    ex: informações adaptadas a deficientes visuais, como mapas táteis, orientam todos

  11. organizar as informações de forma compatível com sua importância ex: hierarquizar as informações, através da utilização de placas maiores e menores
  12. providenciar respostas efetivas e sem demora durante e após o término de uma tarefa
    ex: elevador com sinal sonoro e luminoso ao abrir e fechar o desenho comunica a informação necessária ao usuário, independente das condições ambientais ou das habilidades sensoriais do usuário.

  13. usar diferentes maneiras (pictórico, verbal, táctil) para apresentação redundante de uma informação essencial ex: mapas em alto relevo para deficientes visuais
  14. maximizar a legibilidade da informação essencial ex: toda informação deve chamar a atenção do
    usuário, através do contraste fundo-figura e com o entorno

  15. diferenciar elementos de forma a poderem ser descritos ex: criar referenciais, como a presença de água
  16. prever compatibilidade com uma variedade de técnicas ou procedimentos usados por pessoas com
    limitações sensoriais ex: utilização de piso guia para deficientes visuais o desenho minimiza riscos e conseqüências adversas
    de ações acidentais ou não intencionais.

  17. organizar elementos para minimizar riscos e erros: os elementos mais usados mais acessíveis; elementos de risco ou perigosos eliminados, isolados ou protegidos ex: elevadores com acesso ao público devem estar em locais de destaque, elevadores de serviço devem estar mais reservados
  18. providenciar avisos de risco e de erro ex: garantir que o tráfego de ciclistas seja seguro,
    dispondo de sinaleiras específicas em cruzamentos de ciclovias com vias de trânsito intenso de
    veículos

  19. providenciar características de segurança na falha humana ex: elevadores com sensores que impeçam o fechamento durante a passagem de uma pessoa
  20. desencorajar ações inconscientes em tarefas que exijam vigilância
    ex: sinaleiras sonoras e luminosas nos passeios sobre a constante entrada e saída de veículos das
    garagens o desenho deve ser usado de maneira eficiente e confortável, com o mínimo de fadiga.

  21. permitir ao usuário manter uma posição corporal neutra
    ex: balcões de duas alturas (para cadeiras de rodas e crianças também)

  22. usar forças moderadas na operação ex: torneiras de porta tipo alavanca
  23. minimizar a sustentação de um esforço físico ex: rampas rolantes

    7. Dimensão e espaço para aproximação e uso:
    dimensões e espaço apropriados para o uso, manipulação, aproximação e alcance, não importando o tamanho, postura ou mobilidade do usuário.

  24. colocar os elementos importantes no campo visual dequalquer usuário, sentado ou em pé
    ex: abertura de vidro lateral na porta
  25. fazer com que o alcance de todos os componentes seja confortável para qualquer usuário, sentado ou em pé ex: barras de apoio dispostas horizontal e diagonalmente nos sanitários
  26. acomodar variações da dimensão da mão ou empunhadura ex: portas com maçanetas em alça
  27. prover espaço adequado para o uso de dispositivos assistivos ou assistência pessoal ex: dispositivos de segurança em metrôs, livrarias, etc, devem comportar a passagem de uma cadeira de rodas

2 Comentários »

  1. Estou no Mato Grosso, ministrando a disciplina de Ergonomia, e gostei muito do texto do Trabalho de conclusão da Paula aproveitei algum material do texto compondo uma aula de limitações sensoriais do curso de Engenharia de Segurança do Trabalho.

    Comentário por Marco Aurelio Menezes Porto — 16 de novembro de 2009 @ 19:57

  2. Fico feliz em poder contribuir com minha experiencia e meu trabalho. Obrigada.

    Comentário por admin — 8 de março de 2010 @ 12:55

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