Muitos dos conceitos do projeto surgiram a partir de minha experiência pessoal, que posso considerar como principal gerador da idéia de projetar um Centro de Reabilitação.
Em julho de 2002, cursando o 6º período de Arquitetura, realizei uma cirurgia de emergência, para retirar um tumor que obstruía 95% da minha medula, entre t7 e t8. Perdi completamente os movimentos e a sensibilidade da cintura para baixo e só me locomovia com cadeira de rodas. Fiquei internada durante um mês e meio no hospital, fazendo fisioterapia intensiva, até que, após este tempo, consegui me equilibrar em duas muletas tempo o suficiente para fazer a transferência de da cama para uma cadeira, e com o tempo do quarto para sala e assim por diante.
Depois de 5 meses, comecei a usar bengala. Após 12 meses, consegui andar sem apoio. Desde a cirurgia, a fisioterapia tem sido essencial para os meus progressos. Logo que saí do hospital (Hospital Albert Einstein, em São Paulo, SP), me deparei com realidade catarinense dos tratamentos que visam a reabilitação: fiz uma sessão numa clínica em Itajaí (onde passei os 8 primeiros de reabilitação, na casa de meus pais) e saí chorando, com a certeza de que, se continuasse me tratando ali, não voltaria a andar nunca mais.
Felizmente, uma amiga da família, triatleta e fisioterapeuta aposentada (Ana Maria Perillier Schneider), decidiu me ajudar e praticamente me treinou durante 8 meses, quase 5 horas por dia. Como ela não tinha clínica, minha fisioterapia era feita na piscina do clube e na academia, no meio de pessoas absolutamente normais.
A conclusão que chego é que a minha recuperação foi tão boa porque em nenhuma hora eu fui tratada como doente. No entanto, senti falta do convívio com pessoas com deficiências semelhantes, com quem
pudesse repartir as experiências. E também sei que, ainda que nunca mais saísse da cadeira de rodas, haveria uma porção de atividades que eu poderia realizar, desde que me fosse dado o espaço e a oportunidade.